Festival Demo Sul 2008

Durante os dias 03, 10 e 11 de outubro de 2008 aconteceu em Londrina – PR, a oitava Edição do Festival Demo Sul. O maior festival de música independente do sul do país.
Na edição desse ano, o primeiro dia de shows foi realizado gratuitamente no centro da cidade, uma semana antes dos outros dois dias de festival.
Apresentaram-se na Concha Acústica londrinense as bandas locais Os Céticos, Mamaquila e Hocus Pocus. Essa última tocando com a participação especial do veterano Kid Vinil, relembrando músicas de toda sua carreira.
Simultaneamente a celebração musical do primeiro dia, acontecia à quarta edição do Simpósio de Música Independente, que trouxe palestrantes de outros estados e reuniu profissionais de cultura da cidade para debates sobre música independente através do tema: “Formas Alternativas de Produção Musical e suas Relações Institucionais”. Além disso, quem passeava pelo local podia desfrutar da feira Demo Sul e dos produtos do Programa de Economia Solidária.
Festival
Dois palcos foram montados no Grêmio Literário Recreativo Londrinense para essa edição do Demo Sul. Um externo, com uma estrutura maior, e mais espaço para o público, e um interno, em um salão de eventos do clube. Que, mesmo com menor estrutura e alguns problemas técnicos no som, conseguiu receber as bandas e deixá-las confortáveis para algumas grandes performances.
A novidade fez com que o público pudesse desfrutar de dois ambientes diferentes e evitou o atraso entre apresentações, já que enquanto um palco era preparado, o outro recebia um show. Contudo, o único jeito de assistir a todas as apresentações desde o inicio era subir e descer as escadarias e correr de um palco para o outro sem ao menos parar tomar uma água. Uma verdadeira maratona!
As bandas selecionadas tiveram meia hora para mostrar seus trabalhos e tentar conquistar o público presente.
Essa edição contou com a ilustre presença de David Bowie, Rita Lee, Raul Seixas e Janes Joplin, que, encarnados pelos estudantes de artes cênicas da UEL, apresentaram todos os shows e deram brilho especial ao evento.
Outra novidade foi à participação da ONG londrinense MAE. Visando a diminuição do impacto ambiental do Festival e realizando o trabalho de conscientização dos que passavam por lá.
Primeira noite
A banda Mescalha (Londrina) inaugurou a noite com rock progressivo de primeira, misturando letras poéticas e psicodélia. No entanto, problemas técnicos no som do palco interno acabaram prejudicando um pouco a apresentação da banda.
Logo depois, no palco externo, livre de problemas no som, apresentou-se a também local Flattermaus. Mostrando experimentalismo e indie rock de qualidade.
Aparecendo como o diferencial da noite, a terceira banda, 220 Ska Bar (Londrina), mostrou seu ska dançante com letras em português. A formação ainda conta com a participação de uma backing vocal e dançarina (rudegirl), que animou ainda mais o público quando desceu do palco para se juntar à ele.
Desce escada, e Madame Saatan (Belém), banda revelação do circuito independente deste ano, sobe ao palco apresentando a mistura de heavy metal com componentes regionais do Pará. A presença de palco dos músicos, o instrumental pesado, a voz vigorosa da vocalista e a criatividade das letras, cantadas em português, prenderam a atenção de quem assistia ao show.
Os Droogies, despidos da caracterização típica que faz alusão ao filme Laranja Mecânica, mostraram evolução na sonoridade, apresentando punk rock bem trabalhado com presença de refrões marcantes. Performance arrasadora que fez os mais animados subirem nas estruturas.
Vandaluz (MG), rock e poesia trabalhados juntos. A banda é muito coerente, porém a energia teatral exposta no palco às vezes é muito efusiva, e acaba parecendo um pouco exagerada.
Indie rock experimental e despretensioso com pitadas de música eletrônica compõem o agradável show da banda Cassim & Barbária (Florianópolis). Encerrando com chave de ouro, tocou um cover da curitibana Bad Folks, banda da qual Cassim faz parte.
O New Ones (Londrina), visivelmente inspirado pelo glam e pelo punk rock fez excelente show. Apresentou músicas bem produzidas, arranjos bem trabalhados e competência técnica. Mostrando-se uma banda já amadurecida e confiante, pronta para alçar novos vôos.
O som com influências do rockabilly era o que faltava para a diversidade de estilos da noite e parecia ser exatamente o que o publico aguardava. A monobanda orquestrada por Chucrobillyman é composta por guitarra, bateria, megafone e kazoo mostrou seu rock primitivo de primeira.
O Lendário Chucrobillyman, do curitibano Klaus Koti atraiu a atenção do público, deixou a galera de boca aberta e surpreendeu a todos, até a ele mesmo, que foi intensamente aplaudido e teve o prazer de ouvir todo mundo ali pedir bis. Definitivamente a sensação da noite.
Encerrando o primeiro dia do Festival a headliner convidada foi uma das bandas mais importantes do cenário grunge de Seattle, o Mudhoney.
A atração mais esperada da noite não decepcionou os fãs do estilo e nem os curiosos.
Mostrando o mais puro rock & roll, recheado com solos da guitarra distorcida de Steve Turner e performance expressiva (lembrando muito Iggy Pop) do vocalista Mark Arm.
O repertório contou com músicas do último cd lançado no início desse ano, TheLuck Ones e sucessos antigos como “You got it”, “Suck you dry”, “Into the Drink” e “Touch me I am sick”, primeiro single da banda - considerada pelos críticos a primeira canção grunge – que fez os fãs cantarem extasiados.
“Hate the Police”, cover de The Dicks, que está no repertório da banda a anos fechou o espetáculo. Mas a banda ainda voltou ao palco para o esperado bis, finalizando uma noite de shows de qualidade e deixando o público totalmente satisfeito.
Segunda noite
A banda de hillbilly Fabulous Bandits (Londrina) abriu a segunda noite do festival. Misturando música country de raiz americana com rock’n’ roll. Fazendo uso de instrumentos atípicos como o banjo, violino e o cajon (percussão), conseguiram agitar o público, que até arriscava alguns passinhos.
O trio The Name (Sorocaba) apresentou-se em seguida no palco externo. A sonoridade da banda lembra muitas coisas legais dos anos 80 que você já ouviu, mas mesmo com a forte influência do pós punk, a banda é carregada de elementos modernos. Também um dos destaques do cenário independente desse ano.
A VI Geração da Familia Palim do Norte da Turquia (Maringá), tocou rock’n’roll munida de três guitarras e disparando letras irreverentes, criticando artistas da mpb, questionando a existência do Acre e até reclamando da mulher que não quer usar a burca.
Pra quem não sabe, Pata de Elefante é o nome de uma planta de formato escultural e muito charmosa. O som do power trio de Porto Alegre também pode ser definido dessa maneira. O rock instrumental moldado em melodias fascinantes e arranjos grandiosos, cativa e faz a galera pedir mais.
Surgindo da boa safra de revelações curitibanas, a banda Subburbia faz indie rock para dançar. Vocais alternados entre o vocalista e a guitarrista, que pede para o público se aproximar do palco e é prontamente atendida.
Terra Celta, uma das bandas mais queridas de Londrina colocou a maior parte do publico para dançar com sua mistura de música celta, rock’n’roll e ritmos brasileiros. Outra local que também fez a galera agitar foi a banda que mistura hip-hop e samba-rock, Batuque Muamba Fun.
Os extraterrestres do Trilöbit que há muito tempo já conseguiram dominar os londrinenses, eram uma das atrações mais esperadas da noite. A mistura de música eletrônica com rock industrial e samples inusitados deixou o público em êxtase. A apresentação manteve a mesma intensidade do início ao fim e foi, definitivamente o destaque da noite.
A dupla Palagueto (Argentina) fez os poucos remanescentes - que não tinham pressa em correr para guardar um lugar para o esperado show da Nação Zumbi - se divertirem.
Bases eletrônicas somadas a guitarra e teclado, e letras em inglês com versos eróticos criaram o eletro glam rock de ótima qualidade.
Percussão intensa e ritmada das alfaias, unida aos riffs grandiosos de Lucio Maia caracterizam o som da Nação Zumbi. A mistura de maracatu, rock, samba e eletrônica embala o fim da noite brilhantemente. Músicas do último trabalho da banda como “Carnaval” e a faixa que da título ao cd, Fome de Tudo, aparecem durante todo o show, e são muito bem recebidas, mas é com sucessos antigos como “Meu maracatu pesa uma tonelada” e “Da lama ao caos”que a cultuada banda de Pernambuco conquista o publico e faz o mar de gente pular. Versões bem trabalhadas de “A Praiera”, “Manguetown” e “Quando a maré encher” encerram a performance arrebatadora e a ultima noite do Demosul.
Festival que ganha espaço através dos anos, mostrando profissionalismo, excelente organização e, o mais importante, valorizando e acreditando no potencial das bandas regionais, nos destaques do circuito independente e ainda proporcionando shows de atrações já consagradas, criando um incrível espaço de divulgação e troca de informações culturais.
por: Fernanda Mendonça